quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Aula 02 - O movimento reformado


1.Introdução

Meu primeiro contato com a Fé Reformada aconteceu há alguns anos quando eu, representando o Ministério Frutos de Justiça, ministrava aulas de Soteriologia em um Instituto Bíblico no estado de São Paulo. 

O movimento da Reforma, se iniciou no século XVI em Wittemberg (Alemanhã) e se consolidou em Genebra (Suíça). 

John Huss, importante reformador do século XV, afirmou momentos anos de sua execução: "Podem matar o Ganso (em sua língua, Huss traduz-se como ganso), mas daqui há cem anos Deus suscitará um cisne que não poderão queimar".

Cem  anos depois de Huss morrer queimado na fogueira, o cisne pregava na porta da igreja de Wittenberg, 95 teses sobre a salvação, ato que gerou o que nós chamamos hoje de Reforma Protestante. 


2. O Movimento Reformado. 

O que a maioria das igrejas de hoje chamam de avivamento, não passa de mero sensacionalismo e emoções vãs. Isso não é um julgamento de nossa parte, muito pelo contrário, é uma constatação, uma vez que estes movimentos não evidenciam a maior característica de um legítimo avivamento na vida de um crente: a transformação, a mudança de conduta, a mudança de caráter, o arrependimento e a volta ao Evangelho. Não há uma mudança prática e visível na vida de muitos seguidores de tais movimentos.   

Contudo, a Reforma Protestante do século XVI pode ser considerada como um dos maiores avivamentos da história, pois ela possibilitou a renovação e a revitalização do cristianismo como um todo. O movimento que se iniciou com Martinho Lutero na Alemanha, não reestruturou apenas a liturgia do culto, mas sim todos os aspectos da vida humana daqueles que aderiram ao movimento.  

A Reforma não criticou apenas a indulgência (uma espécie de perdão que a Igreja Católica concedia para aqueles que pagassem) e outras heresias, mas trouxe ao cristianismo uma nova cosmovisão apurada pelas lentes do verdeiro Evangelho. 


3. Histórico da Reforma 

A Reforma Protestante (ou Grande Reforma) aconteceu no século XVI, momento em que o domínio cultural, intelectual e espiritual estava sobre a égide da Igreja Católica. 

A alta cúpula da igreja em Roma (abades, cardeais e papas) ostentava o acúmulo de riquezas e o crescimento material. Não havia uma preocupação espiritual, ou de fato, um compromisso com a salvação das ovelhas. O clero impunha sobre a sociedade europeia, o pagamento de altos tributos e emonumentos que causaram a revolta de burgueses e da maioria dos reis. 

A massa populacional era composta por camponeses não alfabetizados, completamente leigos quanto aos assuntos espirituais e providos de superstições e religiosidade. Estes eram submetidos à penitências, peregrinações supersticiosas, pagamento de indulgência (em síntese, significava a compra do perdão divino tanto para o vivo, como até mesmo para os mortos). 

Em meio a um contexto de fome, de pestes, de doenças, de guerras e de mortes; a expectativa de vida era muito baixa e esta população mais pobre vivia sob um constante clima de medo e insegurança; alvos fáceis para o corpo de mercenários transvestidos em forma de "sacerdotes". 

Neste contexto de injustiças sociais, exploração e mercantilização da fé surgiu o monge alemão Martinho Lutero, um instrumento de Deus para lutar contra a má fé dos sacerdotes e contra os erros doutrinários e teológicos.

Em um estudo sistemático e minucioso das escrituras, Lutero chega até as cartas do apóstolo Paulo. Sua vida e sua cosmovisão sofrem uma mudança radical ao se deparar com Efésios 2.8-9: "Pela graça sois salvos, mediante à fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie". 

No dia 31 de Outubro de 1517, Lutero pregou na porta da Igreja em Wittemberg, suas famosas 95 Teses sobre a Salvação, aonde ele criticou duramente o clero e a venda de indulgências; defendeu a salvação pela graça; e, denunciou a incoerência da prática de fé defendida pela Igreja com relação às Escrituras. 

De modo algum Lutero desejou dividir a igreja ou fundar uma nova denominação, ele apenas desejou pregar e viver em conformidade às reais doutrinas das escrituras; entretanto, a reação do clero fez com que Lutero empregasse ainda mais ousadia em sua luta contra as heresias ensinadas e praticadas pela Igreja.

Lutero foi julgado em Roma, pelo Papa Leão X e condenado à pena de excomunhão. Entretanto, nada foi suficientemente forte para intimidá-lo e levá-lo a negar a sua fé. Como resultado desta ruptura, surgiram as igrejas de linha doutrinária protestante, das quais fazemos parte.   

Em muito pouco tempo, outros homens se levantaram na Europa, inspirados por Lutero, para combater as doutrinas distorcidas ensinadas pela igreja romana: os presbiterianos, liderados pelos reformadores suíços Zuinglio e Calvino; os menoístas, também originários na suíça; na França, os anabatistas; e na Inglaterra, os anglicanos. 

A partir do século XVII, novos grupos reformados nasceram na Europa: os batistas, os congregacionais e os metodistas. 

4. Fundamentos da Reforma 

Afinal em que criam e o que defendiam estes reformadores? A Reforma Luterana tinha como fundamento principal a doutrina Cinco Solas: Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria e Solus Christus. Senão vejamos: 

4.1. Sola Scriptura

A Doutrina Sola Scriptura (Somente a Escritura) defende a Bíblia sagrada como a ÚNICA regra de fé e prática. A verdadeira, insubstituível e ÚNICA Palavra de Deus. Ao longo da história, foram divulgadas tradições, bulas, decisões de concílios que não podem e nem devem servir de direção e regra de fé para quem quer que seja. As Escrituras foram inspiradas pelo Espírito Santo e cremos que é a ÚNICA forma pela qual Deus se comunica com a humanidade. Cremos que ela expressa a vontade de Deus para a nossa vida. No próximo, mês lançaremos um estudo sobre a autenticidade, veracidade e confiabilidade da Bíblia (Não perca!).


4.2. Sola Gratia

A Doutrina Sola Gratia (Somente a Graça) defende que apenas a Graça de Deus é suficiente para a Salvação dos eleitos, convencendo o pecador de sua depravação total, o atraindo a Deus através de Cristo e o regerando. 

NINGUÉM pode ser salvo por mérito próprio, nem por boas obras, nem por orações, nem por votos, nem por penitências, nem pelo dízimo, nem pela regularidade da frequência aos cultos. Existe apenas uma forma do pecador ser salvo: A Graça de Deus manifesta através da Justificação por meio de Cristo. 


4.3. Sola Fide

A Doutrina Sola Fide (Somente a Fé) defende que a Salvação oferecida a humanidade (eleitos) por meio da Graça de Deus manifestado na obra de Jesus Cristo só pode ser alcançada por meio da fé. A fé a Graça estão interligados. Não há uma distinção entre uma e outra. Nada e ninguém pode nos livrar da condenação eterna, senão a fé. 

4.4. Soli Deo Gloria

A Doutrina que pode ser traduzida como Glória somente a Deus, revela que o ser humano foi criado para a Glória de Deus. Tudo o que fazemos, fazemos para a Glória dEle. Tudo o que recebemos dEle, como produto de sua misericórdia e generosidade, também é para a Glória dEle. O plano eterno da Salvação eterna já contemplava a Sua Glória.  O processo do Soli Deo Glória nos revela que toda a Glória é atribuída a Deus não apenas no processo de Salvação, como também durante toda a vida neste mundo. 


4.5. Solus Christus

Somente Cristo é a doutrina central do Evangelho. A nossa Salvação se deve à obra meritória de Cristo. Sua vida sem pecado, sua expiação na cruz e a justificação nos possibilita a reconciliação com o Pai e a entrada para a vida eterna. Não há NENHUMA participação humana na salvação. Não existe absolutamente nada que o homem possa fazer para garantir a vida eterna. 


5. Considerações finais. 

Os reformadores causaram uma grande revolução espiritual em seus tempos. Da Grande Reforma resultou um grande avivamento que ascendeu a chama de um movimento que perdura até os nossos dias. Nestas considerações finais, vale refletirmos sobre a relevância da Reforma Protestante para os nossos dias. 

Esse movimento não aconteceu de forma aleatória. Ele resultou de homens corajosos e ousados, que não exitaram em desafiar o maior sistema religioso e político de sua época: a Igreja Católica romana. Homens que não se conformaram com a miséria espiritual em que a população era submetida. Não se conformaram com o tradicionalismo que cegava e corrompia a igreja. 

Os reformadores buscaram desenvolver uma teologia baseada nos autênticos fundamentos do Evangelho, resgatando assim, a doutrina dos apóstolos. 

Uma grande herança deste movimento é  liberdade religiosa e o acesso à leitura e interpretação da Bíblia, que antes era restrita apenas aos sacerdotes. 

E finalizamos esta aula com algumas reflexões para você: 

Será que hoje em dia a Bíblia tem sido a nossa única regra de fé e conduta? Os revolucionários do século XVI foram radicalmente contra a opressão religiosa que aniquilava a sociedade e descaracterizava a beleza do evangelho de Cristo. Será que hoje não precisamos repensar novamente o conceito de Igreja que está proposto? Até quando iremos permitir que liturgias vazias e sem sentido nos escravizem e nos afastem do verdadeiro cristianismo? Onde está a comunidade cristã que Jesus nos deixou como herança para abençoar o Seu povo?

Reflita e chegue às suas próprias conclusões. 

Abraços fraternais, 
Carol e Fábio.

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