quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Aula 01 - Introdução à Apologética: o declínio do cristianismo contemporâneo.


1. Introdução 

"Numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um ato revolucionário"_(George Orwell. Escritor indiano).

Esta simples frase secular, de um romance literário, nunca fez tanto sentido também no meio "cristão" quanto hoje. Vivemos esta, que talvez seja uma das piores crises do cristianismo da história.

É lamentável afirmar que a sã doutrina se perdeu, quando consideramos a maioria das denominações "protestantes" que existem hoje. O culto a Deus tem sido substituído por espetáculos artísticos. A Palavra de Deus tem sido substituída por entretenimento. Uma vida piedosa e de oração tem sido substituída por religiosidade e falsos legalismos. 

2. O declínio da Igreja Contemporânea. 

A maioria das igrejas que se dizem cristãs conduzem o trabalho de tal forma que seus frutos apontam maior distanciamento do Evangelho do que aproximação. Eles condenam os católicos pela adoração às imagens, porém seus cultos giram em torno de objetos místicos: copo com água, a flor, o sabonete ungido, o lenço ungido, e por aí vai.

Nos púlpitos "cristãos" não se prega mais sobre o pecado, sobre o inferno, sobre a redenção, sobre o arrependimento, sobre a regeneração, sobre a justificação pela fé, sobre a Graça e sobre a santificação. 

As doutrinas fundamentais do cristianismo são trocadas por sermões que giram em torno da prosperidade, da riqueza material, do conforto e do bem-estar humano. A doutrina que se vê é tão pervertida, que os fiéis destas denominações são ensinados a reivindicar o "poder de Deus", a determinar coisas e exigir milagres e realizações de Deus.  


Percebemos que quando um fiel se encontra enfrentando uma situação crítica em alguma área de sua vida, como por exemplo uma enfermidade; este recebe da liderança, um portfólio de diagnósticos que não passam de baboseiras e heresias, que o expõe como um indivíduo sem fé, em pecado e que está vivendo tal situação por falta de Deus; como se a fé cristã o eximisse de viver intemperes. 


As músicas cristãs, por assim dizer, formam um show de horrores a parte. Cânticos que não possuem NENHUM rigor bíblico e teológico. Cânticos que não dirigem palavras de louvor, adoração e veneração a Deus. São cânticos aonde novamente se encontra o homem e suas necessidades como centro.  

Observamos ao longo da nossa caminhada cristã; e sim, isto é uma crítica, que a maioria das igrejas pentecostais e neopentecostais dão pouca ou nenhuma ênfase à pregação da Palavra de Deus. Se vê muitas luzes, muitas danças, muita música, muitas festas, muitos eventos, muitos espetáculos e uma pobreza teológica assustadora, uma quase que total ausência de vida de oração, uma quase que total ausência de espiritualidade. 

Assim como nos cânticos, estes cultos como um todo também são centrados no homem e nas suas necessidades; e, não em Deus. Os cultos são projetados para o homem e não para Deus. Hoje, é comum a maioria das pessoas irem às igrejas com a a finalidade de buscar uma bênção, uma cura, um milagre, uma porta aberta; e não com o propósito de cultuar a Deus porque Ele é Santo e digno de toda a adoração.

As vezes até se houve nas ministrações: "Receba aquilo que você veio buscar", e eu posso te afirmar que na maioria dos casos não é a Deus e muito menos a sua vontade. E, particularmente, eu culpo a liderança sim, pois é ela quem tem despertado nas pessoas as motivações erradas. 

Hoje, dão até nome aos cultos (Culto do milagre, culto de cura, culto de prosperidade, culto de portas abertas, culto de libertação), deixando mais do que claro que estes cultos são totalmente antropocêntricos, ou seja, pensados e realizados para o homem e não para Deus.  

E claro, não podemos e nem devemos esquecer de mencionar aquelas igrejas que possuem apenas um único propósito: O dinheiro! A arrecadação! Mais da metade de seus cultos se concentram no apelo emocional, para não dizer no terror psicológico em que os fiéis são submetidos a fim de abrirem a carteira. Os apelos são os mais distintos e de diferentes formas, desde o mais explícito até a "Poderosa campanha" mais sutil, que no final resultará em uma generosa oferta. 

A grande consequência desta crise espiritual também saltam aos olhos: a formação de uma geração de "cristãos" mimados, pirracentos, que se sentem no direito de fazer barganhas com Deus. Como resultado, uma geração de cristãos fracos, que não andam em santidade, não possuem vida com Deus, sequer conhecem uma vida de oração e piedade. E quando se diz da Palavra então... O que é isso? Para que serve? Não a conhecem, não a amam, não a buscam, não a praticam. E digo mais, sintam-se feliz se eles não dormirem na pregação.

Uma triste geração que é marcada por muito barulho, muito movimento, muitos modismos; e, pouca espiritualidade, pouco compromisso, pouca perseverança e pouca intimidade com Deus. Este é o retrato das igrejas contemporâneas e dos cristãos que as frequenta. 



3. Os redatores e a mudança de rota.

Após conviver anos em meio à toda esta revelia e buscarmos um novo padrão de espiritualidade diferente do que estávamos acostumados a ver e a viver; nós, como casal, concluímos que estas denominações não condiziam com o que nós acreditamos ser a Igreja de Cristo, pura e primitiva. 

Vivíamos em denominações marcadas por muito entretenimento e pouca edificação bíblica e teológica. Sentíamos que não fazia sentido a vida cristã que estávamos levando e buscávamos mudanças. Não nos sentíamos assistidos integralmente e nos víamos abandonados por nossos líderes, a nós e às nossas famílias. Frequentávamos igrejas em que só recebíamos críticas e cobranças de lideranças que não andavam ao nosso lado, que não caminhavam ombro-a-ombro, que não conheciam as nossas lutas, as nossas dores e as nossas dificuldades; não procuravam nos conhecer, não procuravam se aproximar, não davam um simples telefona para saber notícias nossas e de nossas famílias; mas se sentiam no direito de apontarem o dedo em nosso rosto e nos julgar. 

Ficávamos muitas vezes ao telefone, após o trabalho, até altas horas da noite, lendo a Bíblia um para outro, assistindo inúmeras pregações e orando a Deus. Buscávamos mudanças em nossa vida espiritual e ministerial. Foi então que, diante do exposto e após longas conversas, tomamos a nossa decisão: abandonar as denominações neopentecostais e aderir à uma denominação tradicional, histórica e reformada; aonde encontramos a resposta da busca que nos movia há anos, quando nós ainda nem nos conhecíamos; e onde encontramos um estilo de culto e pregação mais fiel ao ensino da Palavra. 

4. Considerações finais: o propósito deste trabalho. 

Este trabalho tem como finalidade levar as pessoas a reavaliarem a fé que estão vivendo, a dosarem se a fé que possuem é realmente uma fé viva, eficaz e fundamentada ou se é necessário corrigir a rota e procurar pela real e sã doutrina da Palavra.


Esta coluna de estudos bíblicos tem como preocupação edificar pessoas na Palavra de Deus, viva, eficaz e inerrante. Queremos oferecer um trabalho de formação, consolidação e aperfeiçoamento bíblico e ministerial; levando nosso leitor a viver a realidade de uma nova vida que somente Cristo pode oferecer. 


A nossa preocupação é oferecer um estudo da Palavra de Deus fundamentamento na teologia reformada, possibilitando formar o caráter cristão, levando-os a prática de uma fé viva, baseada nos verdadeiros princípios bíblicos. 


Nesta primeira etapa de estudos abordaremos o conceito de apologética tendo como princípio a fé reformada. Nesta primeira aula, abordamos sobre o declínio da igreja cristã contemporânea; na próxima, daremos continuidade com uma abordagem histórica e teológica da Reforma Protestante; na terceira aula refletiremos sobre o conceito de cosmovisão; e, por fim, na quarta aula, a apologética. 


Cada mês abordaremos um tema relevante que servirá de recondução da sua fé e consolidação do cristianismo. 


Abraços fraternais,

Carol e Fábio. 

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