quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Aula 03 - Cosmovisão Reformada


1. Introdução. 

Conforme estudamos na aula anterior, os valores que guiam a coluna Apologeticus e a vida de seus autores são pautados na teologia reformada, um movimento que se iniciou no século XVI, com Martinho Lutero e se expandiu até chegar aos nossos dias. 

Na aula de hoje abordaremos a repercussão e expansão da reforma e a cosmovisão que ela oferece para os cristãos da nossa era. 



2. Repercussão da Reforma. 

Outros teólogos espalhados pela Europa do século XVI ao XIX, inspirados pelo movimento luterano promoveram reformas religiosas em seus países de origem, e entre eles vamos citar o francês João Calvino, que levou o movimento reformado para Suíça, Países Baixos, Inglaterra, Escócia; e, por consequência, para os Estados Unidos. Calvino nunca foi ordenado ao sacerdócio. Era humanista, teólogo e professor. 

A Reforma mexeu com a estrutura religiosa, espiritual e litúrgica da Europa pós-Lutero. Por meio de seus estudos autodidatas, Calvino se converteu ao Evangelho ao contrastar incoerências do catolicismo em relação à Bíblia. 

Aos 28 anos, iniciou o seu ministério. Poucos anos mais tarde fundou a Academia de Genebra e publicou sua mais importante obra: "As institutas" (O maior compêndio teológico de todos os tempos). Enquanto as ideias de Lutero inflamavam a Germânia, Calvino incendiou a França e a Suíça. 

Os calvinistas, divergiam dos luteranos quanto a presença de Deus na eucaristia, ao princípio regulador do culto, ao uso da lei de Deus para os cristãos, dentre outros. 

O Calvinismo marcou uma espécie de segunda fase da Reforma Protestante, formalizando e organizando teologicamente o trabalho outrora iniciado por seus antecessores, conforme visto na aula anterior.  

O principal aspecto da doutrina calvinista, o que a diverge de outras, é a ausência da ação humana no processo de Salvação, sendo que esta é oferecida gratuitamente aos predestinados por Deus antes da fundação do mundo. Estes, por sua vez, são atraídos à Ele por sua irresistível Graça. Perceba que o processo não depende da ação humana mas sim da soberana vontade de Deus. 

"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, e isso não vem de vós; é dom de Deus; não vem de obras, para que ninguém se glorie"_(Efésios 2.8-9).

Para conhecer mais sobre Calvino, recomendo a todos a Palestra "Calvino, o teólogo do Espírito Santo" pelo Rev. Augustus Nicodemus Lopes:


A doutrina teológica calvinista se centra em cinco pontos, que serão detalhados em algum momento oportuno mais adiante: Depravação total, Eleição incondicional, Expiação limitada, Vocação eficaz e Perseverança dos santos. Você também pode conhecer mais, clicando aqui.

Pautados nesta visão reformada e inspirados nestes valores, nos séculos seguintes novos heróis da fé viriam a defender a verdade do Evangelho: Jonathan Edward, Charles Spurgeon, Hudson Taylor, Dr. Martyn Lloyde Jones, Robert Sproul, A.W. Tozer, A.W. Pink, Leonard Ravenhill, entre outros. 

Todos estes homens, com uma única missão: Anunciar o Evangelho Verdadeiro, dando sequência ao trabalho iniciado pelos reformadores. 

3. Cosmovisão Cristã.

Uma coisa interessante que observamos no meio "cristão" é a incoerência existente entre a fé que professamos e o estilo de vida que adotamos, que são completamente antagônicos e não condizentes. Conheço muitos cristãos cujo amor, a piedade, a fé e a entrega se restringem apenas às poucas horas do culto. A partir do momento que saem da igreja, em seu dia-a-dia, a postura muda completamente. 

Cosmovisão é um conjunto de crenças que alguém usa utiliza para interpretar a realidade, o mundo, a humanidade e as situações do dia-a-dia. Cosmovisão nada mais é do que ver o mundo, enxergar o mundo e viver no mundo sob a ótica das Sagradas Escrituras. Isto deve se enquadrar em todos os aspectos de nossa vida: desde os deveres, responsabilidades com a família, trabalho, questões políticos-sociais, até mesmo um simples lazer. Ou seja, todos os aspectos de nossa vida devem estar alinhados com a Palavra de Deus. 

Aprendemos que para nos tornarmos cristãos autênticos, é necessário ajustar a nossa cosmovisão. Precisamos enxergar a nós mesmos, aos outros, e às coisas deste mundo sob os óculos do cristianismo. A construção desta cosmovisão se dá por meio de um estudo bíblico e teológico de qualidade (o que hoje é cada vez mais raro nas igrejas que conhecemos). Muito pelo contrário, o que se vê é a cosmovisão do mundo tomando espaço dentro das igrejas e encima dos púlpitos. 

Nossa luta diária consiste em desconstruir esta maldita teologia de liberalismo religioso que se infiltrou dentro das igrejas contemporâneas e pregar a sã doutrina do Evangelho baseada no trabalho iniciado pelos apóstolos na igreja primitiva, resgatado e estruturado pelos reformadores da Igreja nos séculos passados.

A nossa cosmovisão está ajustada à teologia reformada. 

4. Em que cremos?

Diante de tudo o que temos exposto até aqui, desde a aula 1, você pode se perguntar: Em que cremos? No que está alicerçada a nossa fé?  

Cremos na teologia correta, bíblica, pura, que não foi adulterada pela barganha, pela busca material ou por movimentos que não edificam em nada a fé cristã. Todo crente, mesmo sem saber, tem concepções teológicas e essas concepções irão influenciar todos os aspectos da sua vida cristã. 

Nós, os reformados, não valorizamos a teologia pela teologia, mas sim a teologia como um instrumento para nos proporcionar um melhor conhecimento de Deus e do nosso relacionamento com ele.

Assim sendo, a nossa fé está alicerçada em dois fundamentos: Primeiramente, na Palavra de Deus que é o nosso fundamento de fé maior. Cremos nas Escrituras do Antigo e Novo Testamento, como a nossa única regra de fé e prática.

Em segundo lugar, tomamos como referência, os documentos de Westminster (Confissão e Catecismo), que apesar de não terem a mesma autoridade que a Bíblia, são os registros históricos de todo o trabalho realizado pelos reformadores calvinistas, a fim de estruturarem uma visão teológica sadia; por esta razão, os tomamos como referência e auxílio no estudo das Escrituras.  

4. Confissão de fé de Westminster.

Em 1643, iniciou-se no distrito de Westminster (Londres), uma grande assembleias de teólogos calvinistas, a fim de elaborarem a confissão reformada, ou seja, os pontos doutrinários desta visão teológica. Ao concluírem os trabalhos, sete anos mais tarde, ficou estabelecido um documento: Catecismo (maior e breve) de Westminster, que estabeleceu o padrão doutrinário da teologia calvinista. 

A Assembleia foi uma das principais contribuições dos puritanos (assim eram chamados os calvinistas ingleses) para a história do cristianismo. 

Você pode acessar estes documentos na íntegra e conhecer mais sobre este assunto e sobre a visão doutrinária que estrutura a coluna Apologeticus. Para isso, basta clicar nos links abaixo: 



5. Considerações Finais 

Homens de Deu se dispuseram a sair de sua zona de conforto para lutar contra um sistema religioso falido a fim de defender os postulados da sã doutrina. Estes incríveis homens de oração, usados por Deus, revolucionaram não apenas a sua época, mas a história do cristianismo. 

Hoje, podemos dispor dos documentos e dos dogmas que resultaram deste movimento; doutrinas estas alinhadas às verdades sagradas contidas na Palavra de Deus; e podemos aplicá-la a nossa vida, construindo assim uma nova cosmovisão e fazendo crescer o reino de Deus. 

Abraços fraternais,
Carol e Fábio.
Quero ler toda esta mensagem.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Aula 02 - O movimento reformado


1.Introdução

Meu primeiro contato com a Fé Reformada aconteceu há alguns anos quando eu, representando o Ministério Frutos de Justiça, ministrava aulas de Soteriologia em um Instituto Bíblico no estado de São Paulo. 

O movimento da Reforma, se iniciou no século XVI em Wittemberg (Alemanhã) e se consolidou em Genebra (Suíça). 

John Huss, importante reformador do século XV, afirmou momentos anos de sua execução: "Podem matar o Ganso (em sua língua, Huss traduz-se como ganso), mas daqui há cem anos Deus suscitará um cisne que não poderão queimar".

Cem  anos depois de Huss morrer queimado na fogueira, o cisne pregava na porta da igreja de Wittenberg, 95 teses sobre a salvação, ato que gerou o que nós chamamos hoje de Reforma Protestante. 


2. O Movimento Reformado. 

O que a maioria das igrejas de hoje chamam de avivamento, não passa de mero sensacionalismo e emoções vãs. Isso não é um julgamento de nossa parte, muito pelo contrário, é uma constatação, uma vez que estes movimentos não evidenciam a maior característica de um legítimo avivamento na vida de um crente: a transformação, a mudança de conduta, a mudança de caráter, o arrependimento e a volta ao Evangelho. Não há uma mudança prática e visível na vida de muitos seguidores de tais movimentos.   

Contudo, a Reforma Protestante do século XVI pode ser considerada como um dos maiores avivamentos da história, pois ela possibilitou a renovação e a revitalização do cristianismo como um todo. O movimento que se iniciou com Martinho Lutero na Alemanha, não reestruturou apenas a liturgia do culto, mas sim todos os aspectos da vida humana daqueles que aderiram ao movimento.  

A Reforma não criticou apenas a indulgência (uma espécie de perdão que a Igreja Católica concedia para aqueles que pagassem) e outras heresias, mas trouxe ao cristianismo uma nova cosmovisão apurada pelas lentes do verdeiro Evangelho. 


3. Histórico da Reforma 

A Reforma Protestante (ou Grande Reforma) aconteceu no século XVI, momento em que o domínio cultural, intelectual e espiritual estava sobre a égide da Igreja Católica. 

A alta cúpula da igreja em Roma (abades, cardeais e papas) ostentava o acúmulo de riquezas e o crescimento material. Não havia uma preocupação espiritual, ou de fato, um compromisso com a salvação das ovelhas. O clero impunha sobre a sociedade europeia, o pagamento de altos tributos e emonumentos que causaram a revolta de burgueses e da maioria dos reis. 

A massa populacional era composta por camponeses não alfabetizados, completamente leigos quanto aos assuntos espirituais e providos de superstições e religiosidade. Estes eram submetidos à penitências, peregrinações supersticiosas, pagamento de indulgência (em síntese, significava a compra do perdão divino tanto para o vivo, como até mesmo para os mortos). 

Em meio a um contexto de fome, de pestes, de doenças, de guerras e de mortes; a expectativa de vida era muito baixa e esta população mais pobre vivia sob um constante clima de medo e insegurança; alvos fáceis para o corpo de mercenários transvestidos em forma de "sacerdotes". 

Neste contexto de injustiças sociais, exploração e mercantilização da fé surgiu o monge alemão Martinho Lutero, um instrumento de Deus para lutar contra a má fé dos sacerdotes e contra os erros doutrinários e teológicos.

Em um estudo sistemático e minucioso das escrituras, Lutero chega até as cartas do apóstolo Paulo. Sua vida e sua cosmovisão sofrem uma mudança radical ao se deparar com Efésios 2.8-9: "Pela graça sois salvos, mediante à fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie". 

No dia 31 de Outubro de 1517, Lutero pregou na porta da Igreja em Wittemberg, suas famosas 95 Teses sobre a Salvação, aonde ele criticou duramente o clero e a venda de indulgências; defendeu a salvação pela graça; e, denunciou a incoerência da prática de fé defendida pela Igreja com relação às Escrituras. 

De modo algum Lutero desejou dividir a igreja ou fundar uma nova denominação, ele apenas desejou pregar e viver em conformidade às reais doutrinas das escrituras; entretanto, a reação do clero fez com que Lutero empregasse ainda mais ousadia em sua luta contra as heresias ensinadas e praticadas pela Igreja.

Lutero foi julgado em Roma, pelo Papa Leão X e condenado à pena de excomunhão. Entretanto, nada foi suficientemente forte para intimidá-lo e levá-lo a negar a sua fé. Como resultado desta ruptura, surgiram as igrejas de linha doutrinária protestante, das quais fazemos parte.   

Em muito pouco tempo, outros homens se levantaram na Europa, inspirados por Lutero, para combater as doutrinas distorcidas ensinadas pela igreja romana: os presbiterianos, liderados pelos reformadores suíços Zuinglio e Calvino; os menoístas, também originários na suíça; na França, os anabatistas; e na Inglaterra, os anglicanos. 

A partir do século XVII, novos grupos reformados nasceram na Europa: os batistas, os congregacionais e os metodistas. 

4. Fundamentos da Reforma 

Afinal em que criam e o que defendiam estes reformadores? A Reforma Luterana tinha como fundamento principal a doutrina Cinco Solas: Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria e Solus Christus. Senão vejamos: 

4.1. Sola Scriptura

A Doutrina Sola Scriptura (Somente a Escritura) defende a Bíblia sagrada como a ÚNICA regra de fé e prática. A verdadeira, insubstituível e ÚNICA Palavra de Deus. Ao longo da história, foram divulgadas tradições, bulas, decisões de concílios que não podem e nem devem servir de direção e regra de fé para quem quer que seja. As Escrituras foram inspiradas pelo Espírito Santo e cremos que é a ÚNICA forma pela qual Deus se comunica com a humanidade. Cremos que ela expressa a vontade de Deus para a nossa vida. No próximo, mês lançaremos um estudo sobre a autenticidade, veracidade e confiabilidade da Bíblia (Não perca!).


4.2. Sola Gratia

A Doutrina Sola Gratia (Somente a Graça) defende que apenas a Graça de Deus é suficiente para a Salvação dos eleitos, convencendo o pecador de sua depravação total, o atraindo a Deus através de Cristo e o regerando. 

NINGUÉM pode ser salvo por mérito próprio, nem por boas obras, nem por orações, nem por votos, nem por penitências, nem pelo dízimo, nem pela regularidade da frequência aos cultos. Existe apenas uma forma do pecador ser salvo: A Graça de Deus manifesta através da Justificação por meio de Cristo. 


4.3. Sola Fide

A Doutrina Sola Fide (Somente a Fé) defende que a Salvação oferecida a humanidade (eleitos) por meio da Graça de Deus manifestado na obra de Jesus Cristo só pode ser alcançada por meio da fé. A fé a Graça estão interligados. Não há uma distinção entre uma e outra. Nada e ninguém pode nos livrar da condenação eterna, senão a fé. 

4.4. Soli Deo Gloria

A Doutrina que pode ser traduzida como Glória somente a Deus, revela que o ser humano foi criado para a Glória de Deus. Tudo o que fazemos, fazemos para a Glória dEle. Tudo o que recebemos dEle, como produto de sua misericórdia e generosidade, também é para a Glória dEle. O plano eterno da Salvação eterna já contemplava a Sua Glória.  O processo do Soli Deo Glória nos revela que toda a Glória é atribuída a Deus não apenas no processo de Salvação, como também durante toda a vida neste mundo. 


4.5. Solus Christus

Somente Cristo é a doutrina central do Evangelho. A nossa Salvação se deve à obra meritória de Cristo. Sua vida sem pecado, sua expiação na cruz e a justificação nos possibilita a reconciliação com o Pai e a entrada para a vida eterna. Não há NENHUMA participação humana na salvação. Não existe absolutamente nada que o homem possa fazer para garantir a vida eterna. 


5. Considerações finais. 

Os reformadores causaram uma grande revolução espiritual em seus tempos. Da Grande Reforma resultou um grande avivamento que ascendeu a chama de um movimento que perdura até os nossos dias. Nestas considerações finais, vale refletirmos sobre a relevância da Reforma Protestante para os nossos dias. 

Esse movimento não aconteceu de forma aleatória. Ele resultou de homens corajosos e ousados, que não exitaram em desafiar o maior sistema religioso e político de sua época: a Igreja Católica romana. Homens que não se conformaram com a miséria espiritual em que a população era submetida. Não se conformaram com o tradicionalismo que cegava e corrompia a igreja. 

Os reformadores buscaram desenvolver uma teologia baseada nos autênticos fundamentos do Evangelho, resgatando assim, a doutrina dos apóstolos. 

Uma grande herança deste movimento é  liberdade religiosa e o acesso à leitura e interpretação da Bíblia, que antes era restrita apenas aos sacerdotes. 

E finalizamos esta aula com algumas reflexões para você: 

Será que hoje em dia a Bíblia tem sido a nossa única regra de fé e conduta? Os revolucionários do século XVI foram radicalmente contra a opressão religiosa que aniquilava a sociedade e descaracterizava a beleza do evangelho de Cristo. Será que hoje não precisamos repensar novamente o conceito de Igreja que está proposto? Até quando iremos permitir que liturgias vazias e sem sentido nos escravizem e nos afastem do verdadeiro cristianismo? Onde está a comunidade cristã que Jesus nos deixou como herança para abençoar o Seu povo?

Reflita e chegue às suas próprias conclusões. 

Abraços fraternais, 
Carol e Fábio.
Quero ler toda esta mensagem.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Aula 01 - Introdução à Apologética: o declínio do cristianismo contemporâneo.


1. Introdução 

"Numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um ato revolucionário"_(George Orwell. Escritor indiano).

Esta simples frase secular, de um romance literário, nunca fez tanto sentido também no meio "cristão" quanto hoje. Vivemos esta, que talvez seja uma das piores crises do cristianismo da história.

É lamentável afirmar que a sã doutrina se perdeu, quando consideramos a maioria das denominações "protestantes" que existem hoje. O culto a Deus tem sido substituído por espetáculos artísticos. A Palavra de Deus tem sido substituída por entretenimento. Uma vida piedosa e de oração tem sido substituída por religiosidade e falsos legalismos. 

2. O declínio da Igreja Contemporânea. 

A maioria das igrejas que se dizem cristãs conduzem o trabalho de tal forma que seus frutos apontam maior distanciamento do Evangelho do que aproximação. Eles condenam os católicos pela adoração às imagens, porém seus cultos giram em torno de objetos místicos: copo com água, a flor, o sabonete ungido, o lenço ungido, e por aí vai.

Nos púlpitos "cristãos" não se prega mais sobre o pecado, sobre o inferno, sobre a redenção, sobre o arrependimento, sobre a regeneração, sobre a justificação pela fé, sobre a Graça e sobre a santificação. 

As doutrinas fundamentais do cristianismo são trocadas por sermões que giram em torno da prosperidade, da riqueza material, do conforto e do bem-estar humano. A doutrina que se vê é tão pervertida, que os fiéis destas denominações são ensinados a reivindicar o "poder de Deus", a determinar coisas e exigir milagres e realizações de Deus.  


Percebemos que quando um fiel se encontra enfrentando uma situação crítica em alguma área de sua vida, como por exemplo uma enfermidade; este recebe da liderança, um portfólio de diagnósticos que não passam de baboseiras e heresias, que o expõe como um indivíduo sem fé, em pecado e que está vivendo tal situação por falta de Deus; como se a fé cristã o eximisse de viver intemperes. 


As músicas cristãs, por assim dizer, formam um show de horrores a parte. Cânticos que não possuem NENHUM rigor bíblico e teológico. Cânticos que não dirigem palavras de louvor, adoração e veneração a Deus. São cânticos aonde novamente se encontra o homem e suas necessidades como centro.  

Observamos ao longo da nossa caminhada cristã; e sim, isto é uma crítica, que a maioria das igrejas pentecostais e neopentecostais dão pouca ou nenhuma ênfase à pregação da Palavra de Deus. Se vê muitas luzes, muitas danças, muita música, muitas festas, muitos eventos, muitos espetáculos e uma pobreza teológica assustadora, uma quase que total ausência de vida de oração, uma quase que total ausência de espiritualidade. 

Assim como nos cânticos, estes cultos como um todo também são centrados no homem e nas suas necessidades; e, não em Deus. Os cultos são projetados para o homem e não para Deus. Hoje, é comum a maioria das pessoas irem às igrejas com a a finalidade de buscar uma bênção, uma cura, um milagre, uma porta aberta; e não com o propósito de cultuar a Deus porque Ele é Santo e digno de toda a adoração.

As vezes até se houve nas ministrações: "Receba aquilo que você veio buscar", e eu posso te afirmar que na maioria dos casos não é a Deus e muito menos a sua vontade. E, particularmente, eu culpo a liderança sim, pois é ela quem tem despertado nas pessoas as motivações erradas. 

Hoje, dão até nome aos cultos (Culto do milagre, culto de cura, culto de prosperidade, culto de portas abertas, culto de libertação), deixando mais do que claro que estes cultos são totalmente antropocêntricos, ou seja, pensados e realizados para o homem e não para Deus.  

E claro, não podemos e nem devemos esquecer de mencionar aquelas igrejas que possuem apenas um único propósito: O dinheiro! A arrecadação! Mais da metade de seus cultos se concentram no apelo emocional, para não dizer no terror psicológico em que os fiéis são submetidos a fim de abrirem a carteira. Os apelos são os mais distintos e de diferentes formas, desde o mais explícito até a "Poderosa campanha" mais sutil, que no final resultará em uma generosa oferta. 

A grande consequência desta crise espiritual também saltam aos olhos: a formação de uma geração de "cristãos" mimados, pirracentos, que se sentem no direito de fazer barganhas com Deus. Como resultado, uma geração de cristãos fracos, que não andam em santidade, não possuem vida com Deus, sequer conhecem uma vida de oração e piedade. E quando se diz da Palavra então... O que é isso? Para que serve? Não a conhecem, não a amam, não a buscam, não a praticam. E digo mais, sintam-se feliz se eles não dormirem na pregação.

Uma triste geração que é marcada por muito barulho, muito movimento, muitos modismos; e, pouca espiritualidade, pouco compromisso, pouca perseverança e pouca intimidade com Deus. Este é o retrato das igrejas contemporâneas e dos cristãos que as frequenta. 



3. Os redatores e a mudança de rota.

Após conviver anos em meio à toda esta revelia e buscarmos um novo padrão de espiritualidade diferente do que estávamos acostumados a ver e a viver; nós, como casal, concluímos que estas denominações não condiziam com o que nós acreditamos ser a Igreja de Cristo, pura e primitiva. 

Vivíamos em denominações marcadas por muito entretenimento e pouca edificação bíblica e teológica. Sentíamos que não fazia sentido a vida cristã que estávamos levando e buscávamos mudanças. Não nos sentíamos assistidos integralmente e nos víamos abandonados por nossos líderes, a nós e às nossas famílias. Frequentávamos igrejas em que só recebíamos críticas e cobranças de lideranças que não andavam ao nosso lado, que não caminhavam ombro-a-ombro, que não conheciam as nossas lutas, as nossas dores e as nossas dificuldades; não procuravam nos conhecer, não procuravam se aproximar, não davam um simples telefona para saber notícias nossas e de nossas famílias; mas se sentiam no direito de apontarem o dedo em nosso rosto e nos julgar. 

Ficávamos muitas vezes ao telefone, após o trabalho, até altas horas da noite, lendo a Bíblia um para outro, assistindo inúmeras pregações e orando a Deus. Buscávamos mudanças em nossa vida espiritual e ministerial. Foi então que, diante do exposto e após longas conversas, tomamos a nossa decisão: abandonar as denominações neopentecostais e aderir à uma denominação tradicional, histórica e reformada; aonde encontramos a resposta da busca que nos movia há anos, quando nós ainda nem nos conhecíamos; e onde encontramos um estilo de culto e pregação mais fiel ao ensino da Palavra. 

4. Considerações finais: o propósito deste trabalho. 

Este trabalho tem como finalidade levar as pessoas a reavaliarem a fé que estão vivendo, a dosarem se a fé que possuem é realmente uma fé viva, eficaz e fundamentada ou se é necessário corrigir a rota e procurar pela real e sã doutrina da Palavra.


Esta coluna de estudos bíblicos tem como preocupação edificar pessoas na Palavra de Deus, viva, eficaz e inerrante. Queremos oferecer um trabalho de formação, consolidação e aperfeiçoamento bíblico e ministerial; levando nosso leitor a viver a realidade de uma nova vida que somente Cristo pode oferecer. 


A nossa preocupação é oferecer um estudo da Palavra de Deus fundamentamento na teologia reformada, possibilitando formar o caráter cristão, levando-os a prática de uma fé viva, baseada nos verdadeiros princípios bíblicos. 


Nesta primeira etapa de estudos abordaremos o conceito de apologética tendo como princípio a fé reformada. Nesta primeira aula, abordamos sobre o declínio da igreja cristã contemporânea; na próxima, daremos continuidade com uma abordagem histórica e teológica da Reforma Protestante; na terceira aula refletiremos sobre o conceito de cosmovisão; e, por fim, na quarta aula, a apologética. 


Cada mês abordaremos um tema relevante que servirá de recondução da sua fé e consolidação do cristianismo. 


Abraços fraternais,

Carol e Fábio. 
Quero ler toda esta mensagem.

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