domingo, 10 de dezembro de 2017

O dia em que me tornei Jesus


No dia em que me tornei Jesus, estávamos fazendo uma caminhada minha esposa Josete, Marcio (mais conhecido como frango), sua filha (minha aluna) Giulia e eu.

Avistamos na calçada, desmaiado sobre o próprio vômito, um homem com aparência bem cansada. Iríamos passar direto quando ouvimos um som de choro. Quando olhamos, era a Giulia que tinha se enchido de intima compaixão e estava sofrendo por aquele indigente.

Seu pai, na tentativa de consolar a pequena, disse: “Giulia não tem o que se fazer”. Claro que isso não foi suficiente, surgiu então uma excelente ideia: Ligar para o SAMU! Ligamos e quando nos foi perguntado o motivo da chamada, explicamos que parecia ser um problema causado por alcoolismo, obviamente não houve interesse deles e logo a ligação caiu.

Logo em seguida, passou um carro de polícia. Chamamos a atenção dos policiais e quando eles olharam a cena logo disseram que não poderiam fazer nada. Foi quando percebemos que ninguém estava interessado naquele bêbado, mas na realidade, nem nós tampouco estávamos... O meu plano era fazer minha caminhada e emagrecer alguns quilos.

De repente, ouvimos um gemido. Olhamos todos para trás e ali estava o bêbado sujo pelo próprio vômito acordado e cheio de vida (Quero dizer, nem tão cheio de vida...). Meu amigo Marcio, vulgo frango, como bom evangelista que é, já foi perto dele para lhe mostrar que Jesus poderia mudar a vida dele. E eu? Bem, fiquei no meu canto, alias o evangelista era ele eu era só o ministro de louvor.

Quando percebi que ele não parava de me olhar e fazer uma cara de dúvida, achei estranho, mas não questionei. Logo chegou um conhecido do “frango” que o atrapalhou de dar atenção para o maltrapilho, eu fiquei ali, quando aquele homem olhou para mim e com voz estranha meio lenta me disse: “Oi Jesus!

Olhei para trás, assustado. Pensava comigo mesmo: “Será que o Filho de Deus está atrás de mim? Jesus!!!” Olhei para frente e vi o homem olhando diretamente para mim, quando lhe perguntei: “Eu?!”. “Sim, você!” Ele afirmou. Fiquei pensativo... Aquele homem achava que eu era Jesus, o Cristo, o Filho de Deus. Olhei no olho dele, na tentativa de concertar aquele mal entendido e lhe disse: “Eh... Veja bem... Eu não sou...” Quando fui interrompido: “Jesus tenho tanta coisa para te falar”. Engoli seco e disse sem pensar muito: “Se por acaso eu fosse Jesus isso mudaria sua Vida?”. “Ah, uma coisa dessa muda vida de qualquer um”. Me respondeu.

Respirei fundo e disse: “Fala, meu filho!”. Ele começou a chorar e dizer: “Jesus, eu sei que o Senhor tem visto minha vida”. Eu respondi: “Sim, eu tenho te observado”. Ele continuou: “O Senhor sabe quantas coisas erradas fiz”. Eu disse: “Filho, eu morri exatamente por conta dos seus pecados”. Ele continuou “Te fiz sofrer Jesus, desculpa, fui fraco”. Eu eu continuei: “Sofreria de novo filho, só para te ter de volta”.

Foi aí que aquele homem determinou: “Jesus, eu quero voltar, mas, eu ofendi meu pastor, como o Senhor sabe”. Eu respondi: “Sim, eu sei, mas você sempre foi muito teimoso, orgulhoso e sempre cheio de si”. Ele confirmou: “Verdade Jesus, hoje eu sei disto”. Eu completei cheio de ânimo: “Volta!!!”. Ele perguntou: “Eu tenho tempo?”. E eu disse “Sim! Reconcilie-se com o seu pastor”.

Ele concordou: “Vou fazer isso amanhã... O Senhor me perdoa?”. Eu respondo como Jesus: “Sim, já fiz isso a dois mil anos de braços abertos naquela cruz”. Ele me agradeceu com um sorriso, se levantou, ameaçou a dar um abraço que profundamente quis recusar (mas afinal de contas, Jesus jamais recusaria um abraço de quem quer que seja). Depois de um abraço malcheiroso, o homem foi embora e eu retomei minha caminhada.

Me senti mau, aliás eu tinha mentido... Comecei a falar com o meu Mestre: “Perdão, meu Senhor”. Senti quando a sua suave voz me respondeu dentro de mim: “Filho quando mentiu? Quando disse ser você? Eu e você não somos um? Não?! Mas era para ser, você faz parte do meu corpo, não importa se é o polegar ou um pelo da sobrancelha, você e Eu somos um”.

Foi neste momento que percebi que, na verdade, se eu fosse Ele mais vezes, o mundo seria diferente: Eu amaria mais, ouviria mais, abraçaria mais, curaria mais. Imagine Jesus vivendo em nossa sociedade, como seria? Imagine Jesus como médico, como oficial de polícia, como pedreiro, como motorista... Pense como seria se Jesus ocupasse o seu lugar neste mundo.

Um forte abraço de um irmão seu.

"Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós." (João 14.20)


Joel Lucio

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