sábado, 4 de julho de 2015

Dia 04 - O modelar de um vaso escolhido


“Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o SENHOR. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.” Jeremias 18.6

Este texto de Jeremias vem nos trazer uma palavra de esperança e ao mesmo tempo traz compreensão de diversas situações, nas quais, muitas vezes nos encontramos, onde nos sentimos frustrados, insatisfeitos e talvez até, desesperados.

Será que não estamos passando pelo processo, de sermos remodelados, pelas habilidosas mãos do nosso Oleiro?

Há situações na vida que não têm conserto. É melhor jogar tudo fora e começar do zero. A gente tenta um remendo aqui, outro lá, mas, apesar de todo o esforço, as coisas só pioram.

Sabendo disso, Deus muitas vezes nos faz voltar, à estaca zero, e começa a nos remodelar.

“Lembra-te de onde caíste, arrepende-te e volta a pratica das primeiras obras...” (Apocalipse 2.5)

A Palavra de Deus nos diz claramente que somos pó, que viemos do pó, e ao pó tornaremos.

É interessante notar, que na narração da Palavra, sobre a criação de todas as coisas, em quase tudo Deus, em seu poder disse: “haja”, e houve! Assim Ele criou os céus, a terra, os luminares. Ele disse: produzam as águas répteis, produza a terra gado e répteis etc. Porém, com relação ao homem, diz a Palavra que Ele “formou”, isto é, Ele “modelou”, somos seres artesanais, feitos carinhosa e habilidosamente pelas mãos do Criador!

O homem foi criado perfeito, para ser vaso de honra! Para ser o portador do tesouro que é a presença do próprio Deus habitando em nós, pelo Espírito Santo.

Quando Adão estava no processo de formação, era apenas um boneco de barro, mas quando Deus soprou em suas narinas, o fôlego de vida, ele tornou-se alma vivente. “o sopro do todo poderoso me deu vida” (Jó 33.4b)

Por esta razão, devemos nos lembrar, de que sem Ele, nada somos.

É exatamente neste ponto que muitas vezes somos quebrados! Observe que não é Ele quem nos quebra! O vaso “se quebrou” Quando isto ocorre, Ele torna a fazer outro, onde não existam defeitos, trincas e vazamentos. Ele está sempre pronto a fazer de mim e de você, um vaso novo, pois ainda estamos no processo de modelagem.

Quando é que, no decorrer do processo, esse vaso, que somos nós, se quebra?

1. Quando nos esquecemos de que somos barro nas mãos do oleiro, e começamos a contender com o seu nosso criador, “Ai daquele que contende com o seu Criador! O caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? Ou a tua obra: Não tens mãos?” (Isaías 45.9).

2. Quando deixamos de reconhecer a soberania de Deus quanto aos acontecimentos cotidianos que envolvem a nossa vida e o Seu reino. E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito (Romanos 8.28)

3. Quando nos esquecemos de nossa condição de dependentes da ação do Espírito Santo sobre nossa vida e sobre tudo o que fazemos. ”Portanto dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas. A Ele seja a glória perpetuamente! Amém.” (Romanos 11.36)

4. Quando passamos a nos envaidecer daquilo que Deus faz por nosso intermédio, como se nós fossemos os responsáveis pelo sucesso que pela misericórdia de Deus muitas vezes obtemos. “e que tens tu, que não tenhas recebido?” (I Coríntios 4.7b)


“Temos, porém, este tesouro em vaso de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós” II Coríntios 4.5

Paulo queria imprimir na mente dos ministros e do povo a razão do evangelho ter sido confiado a homens fracos e faltosos — para que o homem não quisesse receber a honra devida apenas a Deus, a quem pertence toda a glória

Foi isto que Cristo ensinou aos Seus discípulos: “Sem Mim nada podeis fazer.” (João 15:5)

Portanto precisamos nos lembrar da palavra do profeta Isaías: “Ouvi-me vós, os que seguis a justiça, os que buscais ao Senhor; olhai para a rocha donde fostes cortados, e para a caverna do poço donde fostes cavados.” (Isaías 51.1)

Ao olharmos um lindo vaso, acabado, limpo e polido, não temos idéia do local de origem de sua matéria prima! Um poço de lama, cheio de sujeira e toda sorte de impurezas. “Os ímpios são como o mar bravo, que não se pode aquietar e cujas águas lançam de si lama e lodo.” (Isaías 57.20)

Para chegar ao ponto em que chegou, para servir de adorno, aquele vaso precisou passar por várias etapas.

1.  Precisou ser cavado, separado de seu local de origem – viemos do mundo podre e sem vida. “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu próprio caminho...” (Isaías 53.6)

2.  Precisou ser transportado - “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor”. (Colossenses 1.13)

3. Precisou ser moído, triturado- Há uma fase na vida em que nos sentimos realmente sendo massacrados por pessoas e situações. Faz parte do preparo do barro.

4. Precisou ser misturado, este processo torna o barro maleável. Ao chegarmos ao corpo de Cristo, passamos a conviver, a nos misturar com outras pessoas. “Até que todos cheguemos, à unidade...” (Efésios 4.13) e “para que todos sejam um...” (João 17.21) 

5. Precisou ser colocado na roda, girando sob o controle de suas mãos. Ou, modernamente falando, na forma, para então adquirir o formato que Ele determinou. Vaso grande, pequeno, largo, estreito, com ou sem alças etc.

6. O vaso teve que passar pela fornalha. A altíssima temperatura pela qual o vaso, depois de modelado, passa é que vai lhe dar a condição de pronto para uso.

E finalmente depois de ter passado por todo este árduo processo, que o torna um vaso útil ao eterno propósito de Deus, o que irá chamar a atenção, na maioria das vezes, não será o vaso em si, mas sim, o seu conteúdo!

O bom perfume de Cristo nele contido, o precioso óleo do Espírito Santo, nele armazenado, a beleza do Lírio dos Vales, Cristo Jesus, ou da Rosa de Saron, nosso amado Salvador é que lhe confere a preciosidade.

Tendo a consciência de que fomos feitos para o louvor de Sua glória, um dia, nós, vasos de barro, frágeis, porém, escolhidos e valiosos, finalmente iremos adornar, o Santuário nos céus!


Pra. Marlí Alves Guedes (04/01/15)

Não desista

Elisama Figueiredo