quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A Parábola do Fariseu e o Publicano


Eu lhes digo que este homem [o publicano], e não o outro [o fariseu], foi para casa justificado diante de Deus. Lucas 18.14

Justificação é um termo legal, o oposto de condenação. Os juízes do Antigo Testamento eram instruídos a justificar o inocente e a condenar o culpado. Assim, podemos imaginar a indignação dos fariseus quando Jesus declarou que o publicano pecaminoso fora justificado e que o fariseu correto fora condenado. Estaria Jesus ousando atribuir a Deus uma ação que ele havia proibido a juízos humanos?

Na parábola, os dois atores subiram ao templo para orar. Ali, no entanto, as semelhanças terminam e as diferenças começam.

Primeiro, eles tinham uma opinião completamente diferente um do outro. O fariseu usou o pronome pessoal eu cinco vezes. O publicano, porém, usou-o apenas uma vez e para se acusar: “Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador” (v.13). Essa é a linguagem do verdadeiro arrependimento. Além disso, suas opiniões, diferentes entre si, refletiram-se em suas posturas. Ambos estavam em pé (conforme o costume judaico). Mas o fariseu se achava ereto, orgulhoso e ostentoso, preocupado consigo mesmo. Já o publicano “ficou à distância” (v.13), com os olhos baixos e batendo no peito.

E a outra diferença diz respeito às referências sobre as quais baseavam sua confiança em Deus. O fariseu confiava em si, acreditava que era justo, enquanto o publicano confiava somente na misericórdia de Deus.

O arcebispo Thomas Cranmer, em seu “Culto de Comunhão”, de 1552, estabelece deliberadamente a nossa posição, a saber, ao lado do publicano, “não levando em conta nossos méritos, mas perdoando nossas ofensas através de Jesus Cristo”, e dizendo que não temos a presunção de vir à mesa do Senhor confiando em nossa própria justiça, mas em suas “variadas e muitas misericórdias”. Essa forma de oração que supõe uma aproximação humilde se mantém para sempre na linguagem do verdadeiro penitente.

Não desista

Elisama Figueiredo